O que quer dizer «Competitividade»? Somos competitivos se formos melhores que os outros? Ou será que é uma questão de, como num documentário da National Geographic, sermos um dos leões que tem direito a comer da carcaça que a matilha matou? Será que a riqueza mundial é um bem raro que todos procuram mas só alguns têm direito?
Hoje em dia, parece-me que não. Graças à inovação, à melhoria das comunicações e do comércio, da evolução e, enfim, à globalização, a riqueza mundial não é um bolo finito, mas uma possibilidade aberta. Mesmo os países menos desenvolvidos e em menor crescimento deverão poder, todos os anos, teoricamente, estar melhor que o ano anterior. Mas, hoje em dia, competitividade quer dizer mais do que isso, não é? Determina a capacidade de alguém, alguma organização, algum país, enfrentar com sucesso os desafios do futuro, os desafios constantes da evolução e, eventualmente, a capacidade de gerar bem-estar. Parece-me a mim...
Confesso que não deixo, todos os anos, de me interessar pelo ranking do Institute for Management Development da Competitividade Mundial. A versão 2007 saiu recentemente. 55 países foram avaliados segundo um extenso leque de critérios e Portugal surgiu no 39º lugar, descendo dois lugares desde o ano passado. Podemos consolar-nos com o facto de continuarmos à frente da Itália, ou da Rússia. Mas a verdade é que pelo menos nos últimos cinco anos perdemos posições todas as edições.
Julgo que Portugal continua a surpreender em muitos casos e a mostrar ao mundo que há muito boas coisas que vêm do nosso país. Mas quando é que deixaremos de surpreender? Quando é que conseguiremos manter uma prestação tão boa que já não seja uma surpresa para ninguém? Como se diz no golfe: «It's not how good your good balls are, it's how bad your bad balls are.» Consistência. E nisso, somos maus. E sem consistência, não somos competitivos.
Acho eu...